Histórico do projeto: O que fizemos? Para onde vamos?
Histórico do projeto: o que fizemos, para onde vamos
Mais de um século de produção audiovisual não se documenta de uma vez. A Filmografia Baiana é, por concepção, um projeto de longo prazo — construído de forma modular, com cada fase ampliando e aprofundando o que veio antes. Ao final de cada etapa, os dados são disponibilizados ao público gratuitamente.
Fase 1 — Mapeamento (2008)
Tudo começou com uma constatação simples: não havia documentação abrangente da produção audiovisual baiana. Em agosto de 2008, uma equipe de duas pesquisadoras e uma estagiária iniciou o levantamento sistemático a partir de catálogos de festivais e mostras, acervos da Cinemateca Brasileira, literatura especializada e informações enviadas diretamente por produtoras e realizadores. Foram consultados, entre outras fontes, os catálogos das Jornadas de Cinema da Bahia (1972–2008) e os arquivos do Festival de Vídeo a Imagem em 5 Minutos (1994–2008).
A carência de dados era tão grande que, ao iniciar o trabalho, não se sabia sequer o alcance da pesquisa. A opção estratégica foi priorizar a quantidade em detrimento da profundidade — registrar o máximo de filmes com informações básicas antes de avançar nos detalhes. A decisão se mostrou acertada: ao final, 1.412 filmes foram cadastrados, do pioneiro "Regatas na Bahia" (Diomenes Gramacho e José Dias da Costa, 1910) até as produções mais recentes daquele ano. A primeira fase foi financiada pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia.
Fase 2 — Memória Viva! (2010)
Em 2010, com a base do mapeamento consolidada, foi possível aprofundar a pesquisa. O foco recaiu sobre os longas-metragens realizados na Bahia entre 1959 e 2009, os filmes baianos em 35mm e toda a produção audiovisual de 2005 a 2010. Pela primeira vez, os filmes foram pesquisados a partir das fontes primárias — as próprias obras — localizadas principalmente no Núcleo de Memória da DIMAS (Fundação Cultural do Estado da Bahia) e na ProVídeo da UESB (Vitória da Conquista). O acervo foi ampliado para 1.800 títulos, com créditos, sinopses e imagens. A fase foi vencedora do Edital nº 16/2009 do IRDEB – Apoio à Pesquisa e Preservação da Memória Audiovisual Baiana.
Fase 3 — UFRB (2016)
Em 2016, a Filmografia Baiana foi acolhida pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), passando a integrar o Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (CECULT). A vinculação institucional fortaleceu a dimensão formativa do projeto, ampliou a equipe com estudantes de diferentes campi e consolidou a presença do projeto nos territórios do Recôncavo e do Sudoeste baiano.
Fase 4 — Memória Viva: Preservar para Difundir (2025–2026)
A fase atual representa o maior salto quantitativo e qualitativo desde o mapeamento original. São 514 novas obras catalogadas — 95 longas-metragens, 394 curtas e 25 séries produzidas entre 2017 e 2026 —, elevando o acervo total para 2.555 títulos. A plataforma foi completamente reformulada, com nova interface e navegação otimizada para dispositivos móveis.
A pesquisa envolveu contato direto com diretoras, diretores, produtoras e produtores, com ênfase especial na produção de profissionais negros/as, de mulheres e de realizadores do interior do estado — recortes historicamente sub-representados nos acervos audiovisuais. Oito estudantes de instituições públicas (UFRB, UESB e UFBA) integraram a equipe de pesquisa, reforçando a formação de novos agentes da preservação audiovisual baiana.
A fase é financiada pelo Edital PNAB-Bahia 009/2024 (Fomento às Artes / Memória e Preservação Audiovisual) e inclui ações de difusão em quatro cidades: Salvador, Santo Amaro, Cachoeira e Vitória da Conquista.